domingo, 25 de abril de 2010

Memórias

Queria entender o que acontece quando você está habituado a ver algo e, depois de tanto tempo, esse algo some. Acho que esse post é mais reflexivo do que os outros, e nada conclusivo.

Hoje fui para São Luiz cedinho fazer algumas entrevistas que faltavam para escrever uma matéria, e, como sempre saio atrasado de casa, só tomei café da manhã 3 horas depois de acordar (café saudável, por sinal: coca e coxinha).

Enquanto comia, uma senhora entrou na padaria, provavelmente olhou um cartaz com imagens da cidade, e falou "Saudades da minha igrejinha (se referindo à Igreja Matriz)... fui na missa do padre ontem (se não me engano foi a ordenação de um padre), e quando o sino badalou, até chorei".

Anotei a frase no celular para reproduzir aqui. Fiquei pensando no que passa pela cabeça daquela senhora e de tantos outros senhores que nasceram perto da Igreja Matriz, foram batizados nela, cresceram dando voltas na praça à sua frente, se casaram ali, e, tantas décadas depois, veem tapumes enormes, ruínas quase ordenadas após alguns meses de arrumação, e o sino, sobrevivente da tragédia, que já voltou a ser utilizado para convocar as pessoas para os atos religosos.

Em Taubaté, por exemplo, o prédio da CTI (Companhia Taubaté Industrial), ficou algum tempo sem tocar seu sino tradicional de décadas. Ele tocava no horário do almoço dos trabalhadores e em outros horários, como o de entrada e saída dos funcionários se não me engano.

Uma matéria na tevê mostrou senhores de idade que vivem perto do prédio, falando da falta que o sino fazia. Diziam ficar perdidos com a ausência do som que indicava o horário do almoço, dentre outras coisas.

Em São Luiz não é diferente. As pessoas sentiam falta de ouvir o sino badalando, e infelizmente sentirão falta de lugares históricos como a Igreja Matriz e a Capela das Mercês por um bom tempo, até que eles sejam reconstruídos (apesar de que, mesmo com a reconstrução dos locais, o sentimento de vê-los poderá ser diferente).

Conversando com uma amiga na internet nessa madrugada, falei de como tenho saudades de ver minha mãe e os meus gatos diariamente, algo a que me habituei há anos. A resposta dela foi interessante: "Não tenha saudades, você os tem."

Às vezes eu mesmo penso nisso, ainda mais pensando que os meus gatos não eram prioridade nos resgates da tragédia no começo do ano. Até parece que os bombeiros se dariam o trabalho de ficar pegando os gatos. E mesmo assim minha mãe deu um jeito de levar três deles a um lugar seguro, e os outros dois sobreviveram em casa mesmo, sendo que esses dois são a Mia, que tem quase 20 anos - é uma senhorinha -, e o Faraó, que é o mais lerdinho para pensar. Família ninja é outra coisa.

De qualquer maneira, a frase dita a mim, curta e direta, me ajudou mais a ver o lado bom da coisa. Se não, eu nem teria lembrado dela.

É claro que não é a mesma coisa o meu relacionamento com minha mãe e meus gatos, e as pessoas com os casarões e igrejas da cidade, nem pelo sentimento, pois o meu atualmente é de distância, e o delas é de perda.

Como vivi 18 anos em São Paulo, sendo 10 deles em um condomínio, meu maior apego patrimonial foi com o local em que vivi. Quando passo por lá, dá aquele sentimento de volta no tempo. Mas o condomínio ainda está lá.

Então por mais que eu já tenha tido minhas experiências, elas não se comparam ao que os luizenses, principalmente os de idade, sentem com essa perda. É algo que, naturalmente, nem eles conseguem explicar tão fielmente, por mais que se empenhem em demonstrar o tamanho da perda.

Me bateu essa curiosidade danada hoje... só queria entender o que acontece quando você está habituado a ver algo e, depois de tanto tempo, esse algo some...

segunda-feira, 29 de março de 2010

Resumo do diário de bordo

Várias semanas que não posto devido à correria da vida. Como minha intenção não é fazer necessariamente um diário, a correria não necessariamente fará o número de postagens crescer. Mas cabe colocar um resumo do que tem acontecido comigo.

O jornal da Reconstrução, de São Luiz, já foi lançado. A segunda edição saiu nesse final de semana, e a população finalmente tem a oportunidade de se informar mais sobre o que se passa na cidade. O jornal também está sendo disponibilizado na internet, no site do departamento em que estudo, de modo que todos tenham acesso a ele.

É só clicar aqui para ver a segunda edição (quando eu descobrir aonde foi parar a primeira, prometo postar aqui).

Com relação ao trabalho de conclusão de curso, estou preparando as pautas para entrevistar diversas fontes. De abril não passa, começo a escrever os primeiros capítulos do livro e a entrar em contato com fotógrafos pedindo permissão para usar suas imagens da cidade. Já consegui um número razoável de fontes, dentre moradores, pessoas públicas, gente responsável pela reconstrução de algo, etc.

Com relação à música, me apresentei duas vezes nas últimas semanas em um restaurante. Curioso mesmo foi tocar em uma missa, à convite do Jaime, há algumas semanas. Não é um sinal de mudança religiosa nem nada, mas possivelmente tocarei em outras missas / eventos religiosos. Na semana passada toquei uma música enquanto o Jaime fazia uma homenagem à uma professora da faculdade, que faleceu há alguns dias. Eu conheci a música no dia anterior, havia diversas notas estranhas que eu nunca havia feito, e errei bastante nos dois períodos de aula pelo nervosismo de não ter a segurança de conhecer tão bem a música. De qualquer modo, acho que o que importa é a homenagem.

Passadas longas semanas, darei um jeito de visitar minha mãe nesse ou no próximo final de semana... morro de saudades dela e dos meus gatos, que passavam o dia conversando comigo. Inclusive, sonhei com a Ciça, uma gata minha que morreu pouco antes de eu ir embora de São Paulo. Não sei se isso significa algo, mas minutos depois eu acordei com meus irmãos me ligando, para me avisarem que o meu avô faleceu hoje cedo.

Foi um dia estranho, mais reflexivo do que de costume, e apesar de querer priorizar a postagem sobre meu avô, fica mais coerente deixá-la depois desse meu resumo de vida.

Ê, seu Zé...

Meu avô, José Corrêa, mais conhecido pelas pessoas como 'Zé Corrêa', já fez um monte de coisas em Laranjal Paulista, onde meu pai e meus irmãos moram. Dentre elas, já foi prefeito e vereador.

Sempre foi uma pessoa rígida, daquelas que deixam o filho de castigo de frente para a televisão desligada quando tirava notas ruins. Não era de convivência fácil, ainda mais quando algo fugia do que estava acostumado a ver. Ele nunca foi chegado nos meus antigos brincos, nem nos meus piercings. Nem nos brincos e piercings do meu irmão Rafael (Fá), e muito menos na tatuagem dele.

Meu contato com ele se resumia a uma ou outra visita nas poucas vezes em que eu podia ir à Laranjal. Geralmente essas visitas coincidiam com o seu aniversário, natal, etc.

Ele sempre perguntava como estava a vida do neto que vivia longe. Dos netos que viviam perto ele sabia. Sempre disse acreditar que o neto jornalista pode e deve mudar as coisas, exercendo o seu papel social.

Independente de quem estava em sua residência durante as visitas, as conversas invariavelmente acabavam em política. Não importava se estava eu, que não entendo tanto de política, com ou sem meu pai e minha boadrasta, políticos da cidade, meu irmão mais novo Victor (Tito), que tende a ser o político dessa geração da família, e o Fá. A política laranjalense sempre acabava em pauta, e às vezes a política nacional, principalmente quando a televisão estava sintonizada em algum canal do tipo TV Senado.

Mais invariavelmente ainda, Seu Zé falava de sua atuação política no município. E não era para menos. Talvez por entender tanto de política, misturado à sua rigidez, ele foi asseguradamente o maior prefeito da cidade. Para se ter noção, ele conseguiu levar a Ajinomoto para a cidade há cerca de 30 anos. Atualmente a cidade tem aproximadamente apenas 27 mil habitantes, e suponho que décadas atrás ela fosse um pouco menor. Para se levar uma indústria do porte da Ajinomoto, não pode ser qualquer político.

Ele era casado com a dona Alice, a avó que chamava o refrigerante Kuat de 'Kuait'. Eles viviam juntos num grande sítio com cachoeira, porém após o falecimento da minha avó o sítio foi vendido. Seu Zé dependia dela, e não conseguiria viver sozinho no sítio, inclusive pelo fato de, após tantos anos casados, vir o sentimento de solidão.

Eu ainda era adolescente quando a vó Alice partiu, e me sentia estranho ao visitar o vô Corrêa em uma casa no centro da cidade, sem ver a vó, e vê-lo não tão sorridente, principalmente quando falava dela.

Ele era uma pessoa difícil de lidar, principalmente com o passar dos anos, levando a família a ficar um pouco afastada dele. Com o tempo, os problemas de saúde foram se agravando. Mesmo com tentativas de aproximação, principalmente para ajudá-lo, havia dificuldade em ficar muito próximo dele.

Nos últimos anos, começaram a vir internações pelos problemas de saúde. No ano passado o visitei com o meu pai e minha boadrasta durante uma internação na Santa Casa. Me senti mal por vê-lo na cama, fraco.

Pouco tempo depois ele voltara para casa um pouco melhor. Aliás, já percebi que nós Corrêas temos sangue ruim, do tipo 'vaso ruim não quebra' mesmo, ainda mais vendo a lucidez que o vô Corrêa teve até os 94 anos, e o vigor que o meu pai tem até hoje.

Quando eu e meus irmãos éramos crianças, reclamávamos demais da rigidez do meu avô, que, consequentemente, levou o meu pai a ser rígido também. Anos depois, os três jovens adultos, independente das situações passadas, reconhecemos que a criação rígida nos ensinou bastante. Certas vezes ela é necessária em variados graus, e não só com os outros, mas muitas vezes com nós mesmos.

De qualquer maneira, fico muito grato de saber que o Seu Zé viveu bem sua vida. Seus 94 anos representam cerca de 20 anos a mais do que a média da expectativa de vida de um brasileiro, e com certeza foi uma vida bem aproveitada, falando em nome de sua vida pessoal e política. Tenho a certeza de que a população de Laranjal Paulista sempre será grata pelo que meu avô fez pela cidade que amava.

Apesar de ter tentado levar o dia normalmente, foi um dia estranho. Minha distração era tamanha que, após o almoço, o prato escapou de minhas mãos durante a lavagem e quebrou. Felizmente o machucado foi insignificante.

No final de 2009 conversei com meu pai, que me sugeriu escrever uma biografia do Seu Zé. Infelizmente não houve tempo para entrevistá-lo, mas espero que haja algo significativo em sua memória, proporcionalmente ao homem que ele foi. Espero que eu mesmo possa fazer algo por ele, mas se por ventura isso não for possível, que alguém o faça.

Bem, não sei se homenagens ou agradecimentos póstumos chegam à pessoa de alguma maneira, então espero que ele saiba da importância que teve para sua família.

E se por acaso você der um jeito de ler isso, obrigado por tudo, vô Corrêa, em nome de sua família.

segunda-feira, 8 de março de 2010

Simplicidade

Semanas corridas, pouco tempo para respirar, e muitas experiências boas. Desde que o trabalho no jornal de São Luiz do Paraitinga começou, meus finais de semana foram reduzidos. Meu descanso pode começar apenas no meio de sábado, ou até mesmo no domingo apenas.

Como todo estudante deve pensar, é empolgante começar a exercer a função para a qual você estuda. Não era como no primeiro ano, em que você chegava nas pessoas dizendo "Oi, eu sou estudante do primeiro ano de jornalismo da Unitau, e vou fazer matéria sobre blablabla whiskas sachê. Será que você pode responder algumas perguntas?".

A parte de ser estudante de jornalismo é mantida, mas a nova frase faz você se sentir um jornalista de verdade, principalmente por trabalhar no único jornal cujo objetivo é tratar apenas de assuntos relacionados ao município. Você começa a fazer contatos, as pessoas envolvidas com o poder público lembram de você, e por aí vai (apesar de que tive a felicidade de ouvir uma mulher da prefeitura dizer que se lembra de uma entrevista que fiz com ela no meio do ano passado, mesmo que fosse apenas um trabalho).

Mas tem as pessoas que não ligam direito para quem você é. Nas duas semanas de jornal trabalhei também com matérias relacionadas à zona rural e aos moradores da mesma. Na primeira semana de trabalho, cheguei às 7:30 da manhã de sábado em São Luiz para andar pela zona rural do município. O enfoque era a situação das residências e estradas atualmente (levando em conta que alguns lugares foram prejudicados por três enchentes, por exemplo, e que continuam sendo incomodados pela chuva).

Ainda no centro, encontrei o editor-chefe Luiz Egypto acidentalmente. Ele me levou até a zona rural do município, para que eu começasse a observar as estradas, e entrevistasse os moradores. Durante alguns minutos andei encontrando poucas casas, sempre fechadas. Minha intenção era encontrar alguém asseguradamente acordado nas residências, evitando incomodar as pessoas acordando-as acidentalmente.

Cerca de 20 minutos de caminhada depois, cheguei a um local com algumas seis casas. Numa delas havia um rapaz lavando o quintal, e uma senhorinha andando pra lá e pra cá na casa. Não vou entrar muito em detalhes com certas partes, pois pretendo postar a reportagem aqui no final de semana.

Pedi à senhora, chamada Maria de Lourdes, que me concedesse uma rápida entrevista. Ela estava limpando a residência e colocando móveis novos, e perguntou se eu seria rápido. Ouch. Falei que levaria apenas cinco minutos.

A conversa durou pelo menos meia hora. Na hora de ir embora, ela insistiu para que eu tomasse café ali.

Durante a entrevista fiz perguntas básicas, nada excepcional. Mas o trabalho tem um quê a mais, que faz falta a muitos luizenses. Eles sabem que nós estaremos no município o tempo todo. Não é apenas uma entrevista para uma mídia maior, que resultará em um minuto de reportagem, e fim.

De entrevista, passou à conversa. Eu perguntava, ela respondia, e conversávamos sobre cada ponto abordado. Ela passou a fazer questão de detalhar tudo. Me mostrou sua residência, e o seu quintal, que não possui cerca de madeira em um grande trecho, e sim, como cerca natural, o rio Paraíba. Sua residência fica ao lado do rio. Deve ser difícil viver ali agora.

Foi engraçado sentir como, no início, quando não tínhamos vínculo algum, ela perguntou se a entrevista demoraria, e depois, quando ela soube que eu passei pelo mesmo, se sentiu à vontade para falar.

Aliás, eu havia dito que não seria útil dizer aos entrevistados 'eu também perdi tudo o que tinha em casa, e sei o que você está sentindo'. Na verdade, ainda não acho útil parte da frase, seria ridículo dizer que sei o que cada um sente, mas percebi que dizer que fui afetado gera uma certa familiaridade entre eu e o entrevistado. Se der para evitar, eu o faço.

No entanto, notei que as pessoas veem uma grande necessidade de detalhar o ocorrido e se perdem justamente quando o repórter não sentiu o que aconteceu. Sempre me dizem "se você morasse aqui ia ver a situação da cidade e das casas". Minha resposta, obviamente, é que eu morava ali. O entrevistado se surpreende, pergunta em que bairro eu morava, vê que eu sei bem o que aconteceu no município, e passa a responder as perguntas de outra maneira.

Ou seja: é quase uma conversa de amigos. Não importa se eu sou repórter, estudante, astronauta ou um lunático que chega na cidade às 7:30 para entrevistar as pessoas.

Ao me despedir, Maria insistiu para que eu tomasse café com ela, seu marido, e os rapazes que estavam ali ajudando-a. Disse que não podia ficar, e ela fez questão de ligar para uma vizinha com uma história curiosa, pedindo que ela me concedesse uma entrevista. Cinco minutos depois eu estava sendo acolhido em outra residência, dessa vez uma chácara.

O casal, dono da chácara, não foi diretamente afetado pela enchente. A água subiu por toda a trilha de acesso à residência, mas não chegou ao quintal. Infelizmente, as residências dos filhos foram atingidas. Nem por isso eles deixaram de ser solidários com os outros. No total, eles abrigaram 56 pessoas na chácara, tendo algumas pessoas ficado no local por mais de duas semanas.

Também me ofecereram café, mas não aceitei, até porque tinha recebido uma ligação e precisei me apressar um pouco. Comecei a caminhar de volta para o centro. Levaria, no mínimo, meia hora a pé.

Não bastasse os exemplos de simplicidade dados por essas famílias, caminhei durante cinco minutos, até que um veículo passasse por mim e logo depois parasse. Continuei seguindo em frente, passando pelo carro devagar e olhando para dentro. O casal de senhores disse "Entra".

Desci no centro, passei mais algum tempo na cidade, e fui embora.

No segundo final de semana uma de minhas pautas foi relacionada ao Mercado Municipal. Falar das figuras de lá, como personagens, comidas, costumes. Falar do símbolo que o mercadão representa.

Fui na sexta-feira para a cidade, realizei entrevistas para outras matérias, e à noite toquei em um restaurante. Fui dormir às 3:30 da manhã, e acordei às 7:30 para ir ao mercadão. Me sentei junto a outras pessoas para tomar o café da manhã tradicional ali: café com pastel de farinha.

Alguns minutos depois comecei a encontrar as minha fontes. Uma delas, por sinal, estava acompanhada de sua filha, que me explicara na semana anterior onde seria um bom lugar para encontrar minhas fontes para a matéria da zona rural.

Comecei a encontrar várias pessoas. Fofoqueiras, jogadores de palito, baralho, e até de jogos de adivinhação. Passei cerca de meia hora dando risada enquanto assistia o jogo de adivinhação de cerca de cinco senhores, que zombavam um do outro, sempre dizendo "hoje você não vai ganhar nada, vai voltar só com xixi no bolso". Todos conversavam com o maior prazer.

O jogador de adivinhação, que após pergunta nomeou e descreveu o jogo como "Jogo de veio, porque não temos o que fazer", é que não queria dar entrevista a princípio, mas acabou aceitando responder as perguntas.

Você vê vários tipos de pessoas na cidade. Há tanta gente simples, que independente das dificuldades que tem na vida conversam com um sorriso no rosto, que não tem como você não aprender lições de vida com eles. Não são políticos, não têm pressa, e se sentem bem com uma boa conversa.

PS: enviei a postagem e esqueci de parabenizar as mulheres pelo dia 8. Faltavam 11 minutos para ser tarde demais. Então, parabéns pelo dia, que foi estabelecido após décadas e décadas de lutas por melhores condições de trabalho. Alguns fatos, como o incêndio em uma fábrica de tecidos em Nova Iorque, em março de 1911, que matou quase 150 mulheres, ressaltaram a necessidade de haver melhor estruturação nos locais de trabalho e valorização das trabalhadoras.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Xô, chuva

Fazia tempos que eu não acordava ao som de uma chuva tão forte, e foi o que aconteceu hoje pouco depois das 6 da manhã. No entanto, mesmo gostando de chuva, dessa vez foi torturoso ouvi-la.

Hoje eu tive o sonho mais real da minha vida, e foi desagradável. Apesar de não estar presente no momento, eu sonhei com a enchente de São Luiz em uma versão contrária ao que aconteceu comigo e minha mãe. Desta vez eu é que estava em casa, e ela não. Foi estranho sonhar que estava lá, e sentir momentaneamente um pouco do que ela sentiu. No sonho, diferente do que minha mãe fez, eu não havia conseguido achar um local seguro para os meus gatos.

Isso me fez ficar mais desesperado ainda e acordar assustado, na hora em que os seminaristas oravam na capelinha ao lado do quarto. Me espantei ao ouvir a forte chuva que caía, e imaginei se ela fora a culpada por eu sonhar com o ocorrido. De qualquer maneira, minutos depois, e com o coração já desacelerado, voltei a dormir. Voltei para o mesmo sonho. Acordei poucos minutos depois. Desisti de dormir.

Faltava pouco para chegar a hora de levantar, e aproveitei para fazê-lo. Estava preparado para uma longa caminhada até a Câmara Municipal, aonde teoricamente me encontraria com o grupo do projeto, pois o Jaime tinha um compromisso mais cedo e não poderia me levar.

Já de saída, encontrei com ele. Ele sairia mais tarde, no mesmo horário que eu. Aproveitei a carona, e esperei um bom tempo na Câmara, ansiosamente.

Infelizmente houve um desentendimento na comunicação entre Câmara, Unitau, e membros do projeto, e entenderam no final das contas que eu não poderia ir hoje. Foram sem mim de carro, e eu fui de ônibus.

Cheguei um pouco tarde, a reunião obviamente já acabara, e todos já estavam a trabalho. Conversei com o editor-chefe, Luiz Egypto, e fizemos alguns acertos para a minha pauta. Pouco tempo depois estava retornando à Taubaté, para trabalhar hoje e poder me ausentar amanhã.

Amanhã o carro sairá às 9:30 de Taubaté com os membros do jornal, e, contando com possíveis atrasos, a equipe deve chegar às 10:30. Como não iniciei minha produção hoje, pretendo ir mais cedo do que eles, de ônibus, pretendendo chegar às 8 da manhã na cidade. Se for voltar para Taubaté no mesmo dia, terei até as 21 horas para encerrar minha produção na cidade naquele dia. Acredito que será tempo suficiente para trabalhar boa parte da matéria. É um tema amplo: as condições da zona rural da cidade.

Obviamente o dia foi um tanto quanto estressante, pois caminhei aproximadamente uma hora em uma velocidade acelerada, tudo para conseguir chegar ao ponto de ônibus à tempo de ir para São Luiz, e depois para chegar a tempo no estágio. Tudo isso depois de ter acordado de maneira desagradável, e um plano falhar parcialmente. Sempre acompanhado pela chuva.

Mas não importa, eu imaginei alguma turbulência na primeira semana, e tenho mais algumas previsões para o final de semana, pois tenho compromissos urgentes pendentes.

Os problemas são nada, se comparados à oportunidade de crescimento que estou tendo esse ano.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Corra, News, corra!

Pela primeira vez na vida eu estou sentindo de verdade o que é ter cada vez menos tempo livre.

A faculdade voltou de vez, com dois dias de aula semanais, mais o dia de orientação do trabalho de conclusão de curso.

O estágio continua diariamente à tarde, exceto às sextas-feiras temporariamente, aparentemente.

E agora, após conversas entre responsáveis pelo projeto do jornal quinzenal de São Luiz do Paraitinga e o presidente da Câmara de Taubaté, começarei a ir às sextas-feiras para a cidade trabalhar nas matérias e, muito provavelmente, ficarei por lá nos finais de semana.

Cogitava-se a intenção de eu passar mais dias em São Luiz. Para não prejudicar a Câmara e poder compensar as quatro horas de trabalho durante os outros dias de estágio na semana, expliquei a todos que seria melhor eu ficar na cidade apenas a partir de sexta-feira.

O presidente da Câmara aceitou, o meu chefe apoiou. Não sei da reação dos outros ainda, ficarei sabendo amanhã.

Creio que passar cerca de três dias por lá semanalmente seja mais do que suficiente para fazer entrevistas, fotografar e visar novas pautas para a edição seguinte do periódico que, até onde sei, levará o nome de 'Reconstrução de São Luiz do Paraitinga'.

A parte da escrita será feita em qualquer lugar, seja São Luiz ou Taubaté. Na falta de um computador, haverá um lápis e papel à disposição. Essa questão me dá mais segurança ao falar de passar três dias na cidade. Não vejo razão para passar mais.

Amanhã, excepcionalmente, irei para lá. Na primeira reunião, realizada na semana passada, pensamos em pautas suficientes para a primeira edição do jornal. Irei com os dois outros estagiários de jornalismo que participarão do projeto, e na impossibilidade de presença da professora Angela, ela disse ser fundamental minha ida, para que eu pudesse colocar os companheiros à par do que já foi discutido.

Aos poucos estou me sentindo mais jornalista. Participar de reuniões de pauta, sair com mais frequência às ruas - lugar em que o jornalista sempre deve estar - para realizar entrevistas, ouvir pessoas contando suas histórias, publicá-las, e, acima de tudo, entender a relevância social do seu trabalho e como ele poderá ajudar a população, não tem preço.

Com relação ao meu trabalho de conclusão de curso, também estou bastante empolgado. Cada vez que converso com o meu professor orientador, Robson Bastos, vejo como ele também se empolga com o assunto. Ele me faz querer voar longe. Não, não, isso não é poesia. É no sentido literal mesmo.

Eu tive a ideia de inserir fotografias panorâmicas da cidade, e apontar os locais em que minhas fontes vivem/trabalham. Como pretendo usar fotografias de outros fotógrafos além das minhas, pensei em pedir que alguém liberasse o uso das imagens panorâmicas da cidade enquanto alagada. Robson me sugeriu que tentasse conseguir um voo de helicóptero para fotografar a cidade e possuir fotos panorâmicas que mostrassem a cidade em obras, afinal, a ideia não é congelar o trabalho na enchente, e sim nas ações realizadas posteriormente.

Eu achei a ideia excelente, e engraçada por parecer impossível. Antes que eu pudesse questionar a possibilidade de isso acontecer ele me passou alguns contatos que, possivelmente, poderão me levar para o alto. A Unitau e o Cavex (Centro de Aviação do Exército) de Taubaté possuem um bom relacionamento, e se considerarem o meu trabalho relevante, poderei conseguir minhas fotos (e participar de uma aventura).

O meu tempo livre está ficando cada vez mais escasso, mas a empolgação, ahh, a empolgação... essa não para de crescer.

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Reconstruindo

Tenho ido bastante à São Luiz. Participei de uma reunião hoje, discutindo um projeto de elaboração de um pequeno jornal quinzenal no município que falará de tudo o que está acontecendo na cidade. Logo em seguida, acompanhei o final de uma reunião de especialistas de diversas áreas que estão planejando a reconstrução do município. A reunião me rendeu alguns ganchos para meu trabalho de conclusão de curso, e consegui, inclusive, conversar com a prefeita.

Aproveitando o assunto, deixo aqui o endereço do meu novo blog, que será destinado a relatar o dia-a-dia na produção do meu trabalho de conclusão de curso. O endereço não é definitivo, mas é fácil de se decorar, e talvez fique assim mesmo.

www.slp-2010.blogspot.com

Apesar dos apesares, as coisas estão dando certo para mim, principalmente neste trabalho. E eu quero que assim seja até a criação do produto final, para que o município receba uma contribuição documental decente feita por mim.

Continuo contente vendo a solidariedade dos outros com o município. No entanto, chegou o momento em que parte dessa solidariedade está atrapalhando! A prefeita Ana Lucia já publicou há algum tempo no site do município um comunicado oficial pedindo a suspensão da doação de roupas e alimentos. Estes não param de chegar.

Hoje, na reunião, ela afirmou que as doações continuam chegando independente do comunicado, e citou um dos exemplos que, infelizmente, atrapalham. "Um caminhão veio ontem do Rio de Janeiro lotado de roupas, independente do meu pedido de suspensão de doações. E eles nem avisaram que viriam! Não havia como negar a doação, mas já estamos lotados, e o excesso de roupas está atrapalhando. O ginásio está lotado, as crianças não podem jogar mais bola lá, e é trabalhoso fazer a triagem do que é doado, de tanta coisa que temos estocada. Precisamos despachar isso, as pessoas não precisam mais de roupas. Cogitamos até doar essas roupas para o Haiti, mas não há interesse nisso, pois afirmaram que o custo do transporte seria alto."

E não faz poucos dias que esse comunicado foi publicado. Eu vou espalhar a informação pelas comunidades do orkut afirmando que não há mais a necessidade de se doar roupas, e sim utensílios domésticos. Como dito no site da prefeitura, as pessoas estão começando a retornar a suas residências, e precisam ao menos do básico para poderem viver, na medida do possível, por conta própria.

Segue os endereços do comunicado, e do pedido dos itens de que a população carece no momento.

http://www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br/mensagem_imprensa.pdf

http://www.saoluizdoparaitinga.sp.gov.br/doacao.htm

Aconselho uma xeretada pelo site, e para quem puder, que faça doações para o município, mas que sejam as doações que realmente ajudarão.

A reunião de hoje discutiu diversos pontos, e houve inclusive a apresentação de um rascunho de projeto que prevê até um teleférico na cidade. Eu entendo que a cidade não será mais o patrimônio histórico de antes, por mais que os casarões sejam replicados, mas não sei se o município precisa virar um parque de diversões para reviver.

Havia extensas pontes, dentre outras coisas que se vê em cidades grandes. Parecia que uma das pontes passaria por cima do bairro em que eu vivi, Verde Perto. Para mim, isso já desqualifica a ideia. Uma ponte que passará por cima de casas? Se houver algum problema com a ponte, a casa será prejudicada. Uma ponte que passará por cima das casas não permitirá que o sol continue batendo nas residências. Algumas delas serão regadas de sombra o dia inteiro. Apesar do calor que passamos atualmente, acho que não é válido fazer uma casa ficar na sombra o dia inteiro, inclusive pelo fato de isso prejudicar o que há no interior.

De qualquer maneira, ideias são sempre bem-vindas. Deixemos que os especialistas deem suas ideias, independente das utopias que vez ou outra aparecerão. Enquanto isso nós, meros mortais, continuamos tentando ajudar a cidade como podemos.